1. O FC Porto, ao derrotar o Marítimo por 3-1, chega ao fim do ano na liderança do campeonato, mantendo o melhor ataque e a melhor defesa da prova. A consistência defensiva, a regularidade e a vertigem ofensiva tornam esta equipa a melhor da competição. E só não a lidera de forma isolada porque, no nosso campeonato, não há reforço tecnológico capaz de resistir ao erro humano.

2. O FC Porto teve que defrontar um Marítimo ainda mais defensivo que o habitual. Três centrais e muitas vezes duas linhas de cinco jogadores a defender eram uma barreira cerrada e, aparentemente, inexpugnável. Foi preciso uma equipa portista muito paciente, determinada e criativa para abrir brechas nessa muralha e acabar por derrubá-la. A equipa maritimista fez apenas dois remates, ambos na mesma jogada, em toda a primeira parte.

3. Esta é, aliás, uma outra originalidade do nosso campeonato, como muito bem destaca o Sérgio Conceição: as equipas mudam muito quando defrontam o FC Porto. E há vários exemplos: este Marítimo superdefensivo é um deles; um outro caso é o do Tondela – muito agressivo nos jogos com o FC Porto e excessivamente passivo quando defronta o clube do presidente dos “miminhos”. E já nem vou falar hoje dos diferentes discursos de vários treinadores consoante a sala de conferências em que se apresentam.

4. O FC Porto está muito confiante e não há dificuldade que o faça hesitar. Jogar depois dos rivais directos na luta pelo título podia condicionar a abordagem dos jogadores ao jogo, mas o que se vê é uma equipa que acredita muito nas suas capacidades e que não se deixa pressionar por nada, nem por ninguém. A equipa do FC Porto sabe que só pode contar com ela própria (e com os seus adeptos), sabe que os obstáculos são muitos, sabe que não vão chover favores de lado nenhum e sabe que tem qualidade e carácter para ser a melhor equipa portuguesa e a principal candidata ao título. Assim a luta seja limpa.

5. A qualidade do trabalho feito até agora é de tal ordem que, além de não existir um verdadeiro onze titular, os seus jogadores vão batendo recordes atrás de recordes: golos marcados, assistências, golos resultantes de bola parada, número de jogadores a marcar golos, minutos de utilização e muitos outros. Mas não posso deixar de destacar a dupla que neste momento forma o meio-campo: Danilo e Herrera são jogadores únicos e de altíssima qualidade e fiabilidade. Têm a capacidade, de per si, de elevar a equipa a outros patamares. Com eles tudo se torna possível. Cá dentro ou lá fora.

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