1. O FC Porto goleou o Chaves por 3-0 e lidera o campeonato com 15 pontos e um impressionante score de 12 golos marcados e 0 sofridos. A vitória não foi fácil, terá sido até a mais difícil até ao momento, mas é completamente justa. Uma primeira parte menos intensa do que o habitual levou a um resultado inédito – ir para o intervalo sem estar em vantagem; isso foi, no entanto, compensado com uma entrada fortíssima na segunda parte, que valeu o primeiro golo. Foi o momento do jogo.

2. Este jogo apareceu entalado entre compromissos das selecções e a primeira jornada da Liga dos Campeões, o que é sempre um momento sensível. E os dois principais rivais já tinham jogado e ganhado os seus jogos. O futebol praticado foi menos escorreito que o costume, mas a eficácia na segunda parte e as alterações do treinador, que mexeram sempre com o jogo, foram determinantes para levar a equipa à vitória. O Marcano esteve impecável, o Marega imparável e o Soares regressou em boa altura e em bom estilo.

3.O Chaves dificultou muito o trabalho do FC Porto. Pressionou alto e em largura, com grande intensidade, impediu o jogo interior dos portistas, bloqueou as alas e ainda teve a capacidade de criar duas grandes oportunidades de golo na segunda parte. É uma boa equipa. Mas não resistiu aos três tanques de guerra azuis e brancos. No FC Porto ,o Filipe teve desconcentrações, o Danilo apresentou-se um pouco perro (coisa raríssima) e o Aboubakar com alguns períodos de ausência. Ainda assim, o camaronês marcou o quinto golo no campeonato e segue à média de um golo por jogo. Sem penáltis.

4. Os principais adversários do FC Porto jogaram de véspera e ganharam com muita dificuldade e resultados muito apertados. O Sporting (talvez aquele mais à imagem de Jorge Jesus nestas três épocas em Alvalade) ganhou com justiça, apesar da grande reacção do Feirense e do penalti muito, muito, tardio.
A vitória do Benfica (aquele mais à imagem de Rui Vitória desde que este chegou à Luz) foi injusta e muito penalizadora para um Portimonense que esteve a ganhar e que, reduzido a dez, encostou o Benfica às cordas e esteve a milímetros do empate. Foi uma vitória alicerçada em mais um penalti duvidoso (já lhes chamam “à Benfica”) e num “chouriço”, como deliciosamente lhe chamou o Vítor Oliveira.

5. Há um VAR para o Benfica e outro VAR para o resto das equipas. Depois do golo anulado ao Braga e da expulsão perdoada ao Eliseu, esta jornada proporcionou-nos mais um momento de atropelo às regras, com a anulação de um golo do Portimonense por suposto fora de jogo no início da jogada. É que essas regras são bem claras: a decisão inicial não pode ser alterada a menos que a revisão mostre claramente que estava errada.
Como todos já pudemos ver pelas imagens fornecidas pela própria Federação, a irregularidade não é nítida, não é clara, há dúvidas quanto à sua existência. Porque é que, então, o VAR reverteu a decisão inicial da equipa de arbitragem? Não teve dúvidas? As imagens foram, para si, claras? Não devia ter aconselhado, antes, o árbitro a ir rever a jogada (que era o que o próprio devia ter feito)? É que, ainda por cima, no caso do fora de jogo, não havendo certeza, as leis do jogo dizem que o lance deve prosseguir. E não nos podemos esquecer de um pormenor importante: o VAR não tem acesso a imagens com as linhas auxiliares de fora de jogo. Onde é que o Fábio Veríssimo foi arranjar essa certeza?
Eu posso percecionar que essa infração existe; as linhas da BTV, que valem o que valem, podem mostrá-la; mas com as imagens que tinha disponíveis, não era possível o VAR ter a certeza de que a decisão inicial estava claramente errada. Logo, não a devia ter revertido.

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