1. Por mais incrível que pareça, nunca foi fácil para o FC Porto jogar em Moreira de Cónegos. Em oito jogos para o campeonato os portistas não conseguiram melhor do que 3 vitórias, 4 empates e 1 derrota. Nas últimas três épocas perdeu um jogo e empatou os outros dois. É pouco. E ontem tinha a obrigação de fazer mais. Num campeonato disputado como há muito não se via, com três candidatos ao título, cada jogo é mesmo uma final. E ontem o FC Porto tinha a possibilidade de sedimentar, e até aumentar, uma vantagem que reforçaria a sua liderança e retiraria algum ânimo aos seus adversários. Assim, e se o Sporting vencer, volta a depender dos 45´do Estoril.

 

2. Este empate tem várias explicações. A começar pela forma apática com que os portistas entraram em campo. Quando se julgava que o FC Porto estava determinado a fazer o Moreirense pagar pela eliminação na Taça da Liga, acabamos por assistir a uma entrada em campo desinspirada e a um futebol previsível e sem intensidade. Logo este FC Porto que nos habituou a entradas vigorosas, mas que tem vindo a perder algum gás.

 

3. Outro factor que explica o nulo frente ao Moreirense é o número de oportunidades desperdiçadas. Apesar do jogo menos conseguido, os golos cantados e não concretizados foram muitos! Este é um capítulo que exige atenção e trabalho. Jogando melhor ou pior, o FC Porto tem sempre a capacidade de criar oportunidades flagrantes para marcar golo mas que depois não são aproveitadas. Foi assim ontem, como já tinha sido frente ao Sporting (aliás, em todos os clássicos) e até na vitória curta sobre o Tondela. É preciso mais concentração e menos ansiedade no momento de fazer o golo.

 

4. Este empate também se explica pelo timing das substituições. O treinador do FC Porto esteve bem nas alterações que foi introduzindo na equipa, mas mexeu sempre tarde. Soares, Waris e Sérgio Oliveira foram mais-valias e acrescentaram qualidade ao jogo da equipa mas deviam ter entrado mais cedo. Era notório o cansaço e o desacerto de alguns jogadores e a sua manutenção em campo foi prejudicial para equipa. Ou melhor, a equipa foi privada tempo demais dos reforços que lhe acrescentaram mais poder de fogo, mobilidade, dinamismo, verticalidade e qualidade de passe.

 

5. Paulinho e Waris são mesmo reforços para o que ainda falta da temporada. O brasileiro fez uma boa primeira parte, sendo mesmo o mais esclarecido nesse período. O ganês chegou, viu e marcou. Mas não valeu. Como comprovam as imagens apresentadas pelo FC Porto, o golo foi legal, foi mal anulado pelo árbitro-assistente e mais uma vez perante o silêncio comprometedor do VAR. A realidade é que em três jogos consecutivos o FC Porto vê serem-lhe invalidados três golos (um bem, outros não). É muito. É demais! E mais uma vez um guarda-redes dá um soco num jogador do FC Porto e ninguém marca falta. Isto não é justiça. Não é verdade desportiva. As regras não se aplicam a todos da mesma maneira.

 

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