1. O FC Porto deu uma resposta demolidora ao resultado de quarta-feira, fazendo uma clara demonstração de força, talento, união e confiança. O Rio Ave foi goleado por 5-0, com uma bela exibição que afastou fantasmas e que permite a manutenção da liderança isolada da I Liga à entrada de uma semana que pode ser crucial para o resto da época. O FC Porto volta a jogar a meio da semana, com o Estoril, onde perde por 1-0, num jogo em que é imprescindível manter-se como única equipa invencível. Se der a volta ao resultado, melhor ainda.

2. O FC Porto apenas teve que ser igual a si próprio para golear o Rio Ave: entrou forte no jogo, chegou cedo ao primeiro golo (o mais madrugador da temporada), foi sempre à procura do próximo golo (o quinto foi ao cair do pano), jogou sempre com grande intensidade e esteve sempre focado na área e na baliza adversárias. O Rio Ave também procurou ser igual a si próprio (o que traz vantagens frente à maior parte dos adversários e explica o brilhante quinta lugar): sair a jogar de pé para pé, boa circulação de bola, jogar no campo todo; só que perante este FC Porto manter essa personalidade pode sair caro, e os vilacondenses acabaram goleados.

3. A exibição foi colectivamente muito forte mas o apoio que veio das bancadas foi precioso. A vitória de ontem começou a ser construída ainda na noite de quarta-feira. O apoio que a equipa recebeu no final do jogo com o Liverpool foi, com certeza, determinante na forma como a equipa reagiu, preparou e venceu o jogo com o Rio Ave. Os adeptos perceberam que aquele jogo não representava a época da equipa e, com generosidade, mas também com maturidade, amparou-a nesse momento muito delicado. O fruto foi recolhido ontem, na presença maciça de mais de 42.000 espectadores, e foi bem saboroso. No final, a equipa soube reconhecer e agradecer essa ajuda do mar azul.

4. Iker Casillas não é só sinónimo de qualidade. Representa também experiência e liderança. Um farol numa noite mais tumultuosa. O José Sá é um bom guarda-redes e deu tudo o que tinha enquanto titular das redes do FC Porto. Mas cada momento tem as suas circunstâncias e estas chamaram por Iker. Se a primeira titularidade de Sá foi uma grande surpresa, o regresso de Casillas não o foi menos. Não tanto pela conjuntura, que era óbvia, mas mais porque esta reversão já teve outras oportunidades e não aconteceu. Se as circunstâncias não mudarem acho que o Casillas deve ser titular em todos os jogos até final da época.

5. O Diogo Dalot tem 18 anos, tem um percurso imaculado na formação do FC Porto, é uma grande esperança do futebol portista e do futebol português e estreou-se ontem pela equipa principal na liga portuguesa. Já o tinha feito na Taça de Portugal. Com a lesão de Ricardo Pereira, titular do lado direito e opção à esquerda, faz todo o sentido a chamada de Dalot. Lateral direito de base mas com muitos jogos no lado esquerdo da equipa B, e mesmo pela A, quando jogou na Taça. Também pode jogar a médio. E não é pela polivalência, é mesmo pelo talento. A que junta uma pujança física impressionante, uma personalidade impactante e capacidade de liderança. É um verdadeiro “unicórnio”, tal o seu valor potencial.

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