1. O FC Porto voltou ao Estoril para acertar o calendário e voltou de lá com a liderança do campeonato reforçada, vantagem alargada para 5 pontos, e tendo agora o melhor ataque da prova, mantendo a melhor defesa. A competição vai ser disputada, como quase nunca, até ao final pelas três equipas, daí que esta vantagem agora alcançada dê algum conforto e margem de manobra àquela que tem sido a melhor e mais regular equipa do campeonato.

 

  1. Foi uma grande vitória do FC Porto, porque obtida em circunstâncias anormalmente complicadas: deslocação de mais de 300 km para disputar a segunda parte de um jogo que estava a perder ao intervalo por 1-0. Também não ajudava o facto de, previsivelmente, ir defrontar um adversário ultradefensivo, já que estava na frente do marcador, com a perspectiva de poder somar três preciosos pontos e em que o segundo pior cenário possível era consentir um empate. O facto de o guarda-redes já ter um amarelo que vinha da primeira parte amenizava um pouco a perspectiva de anti-jogo.

 

  1. A exibição demolidora dos portistas assentou em vários factores. Desde logo, numa entrada fortíssima em jogo, com duas oportunidades ainda antes do primeiro golo, que chegou cedo e foi determinante. Depois, a equipa soube manter a sua identidade e princípios de jogo, apesar da necessidade de fazer mais em menos tempo. Para isso, optou por reforçar a intensidade com que habitualmente costuma joga (sim, é possível!): pressão alta, duelos quase todos ganhos, velocidade. Por fim, a vitória também se fica a dever ao excelente desempenho dos avançados e à sua eficácia: aos 14 minutos da segunda parte estava consumada a reviravolta.

 

  1. O FC Porto fez uma exibição colectivamente muito forte, muito impressiva e muito determinada. Mas não posso passar ao lado da pressão alta e assertiva do Herrera, e da sua presença na área, e dos duelos ganhos por ele e pelo Sérgio Oliveira; não posso deixar de chamar a atenção para a potência do Marega e para as suas acelerações que esticaram o jogo e desbaratam a defesa do Estoril; e, por fim, tenho de destacar a determinação, garra e eficácia de Soares. Um verdadeiro matador!

 

  1. O Sérgio Conceição preparou muito bem este meio jogo. Estratégia bem montada e adequada às circunstâncias, todas as peças nos seus sítios, mensagem bem transmitida e percebida pela equipa. A exibição fala por si. Muito importante foi, também, o forte apoio que a equipa recebeu no António Coimbra da Mota. As circunstâncias também eram difíceis para os adeptos do FC Porto, mas eles compareceram em peso e foram incansáveis no apoio à equipa. A vitória também passou por aí.