1. O FC Porto foi a Paços de Ferreira e perdeu pela primeira vez com uma equipa portuguesa nesta época. Alguma vez teria de acontecer. Foi ontem. Todos sabemos que o campeonato é uma maratona, é feito de altos e baixos e no final ganha (em princípio) a equipa mais regular. A vantagem de se ter conquistado uma distância razoável para os adversários que vêm atrás desde a primeira jornada é poder salvaguardar-se de um dia menos bom. Foi o que aconteceu à 26ª jornada: mesmo perdendo este jogo, o FC Porto segue isolado na liderança, com dois pontos de avanço e a depender apenas de si próprio para ser campeão nacional.

 

  1. O FC Porto não esteve neste jogo ao nível a que nos habituou nesta época. Entrada apática a contrastar com as mais habituais entradas arrasadoras; a dinâmica e a intensidade habitual deram lugar a uma equipa que permitiu ao adversário respirar, trocar a bola e, até, algumas vezes, pressionar os portistas à saída da sua área; na frente a equipa apresentou-se desgarrada e não foi eficaz a aproveitar as oportunidades que, ainda assim, conseguiu construir.

 

  1. O Sérgio Conceição tem feito um trabalho notável (em alguns casos tem feito autênticos milagres) mas não é possível resistir o tempo todo a todas as adversidades que vão acontecendo ao mesmo tempo. É verdade que o número de indisponíveis já foi maior, mas uma coisa é ter lesionados e ter substitutos frescos para entrar, e outra coisa é quando esses substitutos, eles próprios, também vêm de lesões e por isso não estão ainda num nível normal. O FC Porto já esteve privado de Soares e Marega, mas tinha o Aboubakar em forma e não a regressar também de uma lesão. A equipa também já fez muitos jogos sem o Danilo, e sem o Herrera, mas raramente jogou sem os dois.

 

  1. Olhava-se para o onze inicial e não havia dúvidas (ou havia poucas) sobre o acerto das escolhas. Depois do jogo terminar podemos perguntar-nos se o Maxi não devia ter continuado a titular e se o Ricardo não devia ter jogado na sua frente, se o Reyes não podia ter feito dupla com o Sérgio Oliveira e se o Gonçalo Paciência não teria trazido maior rendimento ao ataque da equipa. São muitas interrogações, e feitas à posteriori, mas só o facto de elas existirem são um sinal claro de que o rendimento da equipa não foi, efectivamente, o melhor.

 

  1. O que se passou em Paços de Ferreira não foi normal. Um treinador ainda sem qualquer currículo mas já cheio de arrogância e superioridade moral e que mais parecia um qualquer cartilheiro, tantos foram os recados que transmitiu. O anti-jogo que a sua equipa fez, e que o árbitro não compensou devidamente, também não foi normal: R. Assis foi assistido 4 ou 5 vezes perante a complacência de Bruno Paixão (aquele olhar vazio é a típica defesa dos incapazes, e já o vi também em Fábio Veríssimo) e o guarda-redes foi assistido 7 (!) vezes e, como podemos comprovar nas imagens televisivas, muitas dessas assistências resultaram de evidente simulação. Mário Felgueiras que teve a desfaçatez de no final do jogo vir pedir respeito pelos jogadores do Paços de Ferreira. Caro Mário, o respeito não se exige, conquista-se com dignidade!