1. O FC Porto foi à Madeira derrotar o Marítimo por 1-0 e pôr fim a um jejum de vitórias nos Barreiros que durava há seis épocas. Esta vitória permitiu aos azuis e brancos darem um passe de gigante rumo ao merecido título, aumentando para cinco pontos a vantagem para os perseguidores mais directos e faltando agora apenas um ponto, uma vez que o principal rival foi derrotado na véspera e em casa frente ao Tondela.

 

  1. Este não era um jogo fácil à partida. Nas palavras do próprio presidente do FC Porto, “é mais difícil vencer aqui (nos Barreiros) do que na Luz”. Mas o treinador portista, arguto, preparou muito bem esta deslocação e começou desde cedo a desmistificar e a desconstruir as dificuldades que envolvem esta deslocação. Lembrou que este jogo era apenas mais um, difícil, claro, e que a história e a estatística não ganham jogos. Quem ia jogar era esta equipa do FC Porto e, como tal, tinha todas as hipóteses de arrecadar os três pontos da vitória.

 

  1. O Marítimo valorizou muito a vitória do FC Porto. É, de facto, uma equipa muito competitiva, principalmente em casa, e o seu treinador, Daniel Ramos, também preparou bem o encontro com os portistas. É verdade que o FC Porto entrou melhor no jogo, mas o Marítimo foi pronto a reagir, absorvendo o primeiro impacto sem consequências e, subindo as linhas no terreno e pressionando alto, dificultou muito o início da construção do jogo portista. E fê-lo controlando e retirando a profundidade ao ataque do FC Porto, que é a sua principal arma ofensiva. Os centrais madeirenses estiveram, pura e simplesmente, impecáveis e adiaram até onde foi possível o golo da vitória.

 

  1. Três factores foram determinantes para a vitória portista: a personalidade da equipa, que manteve a sua identidade e que se apresentou neste jogo com a mesma confiança com que se apresenta noutro jogo qualquer; a vontade que a equipa tinha de vencer este jogo, fazendo tudo o que era possível fazer até surgir o golo, acreditando sempre na vitória e sem nunca abdicar dos seus princípios de jogo; e as substituições que deram o mote e que indicaram claramente qual era o caminho a seguir. Foi a segunda vitória consecutiva fora de portas com golos decisivos perto dos noventa minutos, o que vem por um ponto final na ideia de que esta equipa não conseguia resolver os jogos nos momentos finais das partidas.

 

  1. A próxima jornada promete ser escaldante. O FC Porto recebe o Feirense e um empate é suficiente para se tornar campeão nacional. Isto se, na véspera, o derby lisboeta não terminar empatado. Neste caso, os portistas arriscam-se a ser campeões no sofá. Claro que ninguém pode contar com facilidades de qualquer tipo e a recepção ao Feirense, que luta desesperadamente pela manutenção e que vem de duas vitórias consecutivas, tem de ser preparada com todo o rigor, seriedade e profissionalismo. Quanto às posições imediatamente abaixo, de realçar que o Benfica pode ficar fora da Liga dos Campeões e que o Braga ainda pode chegar ao pódio.