1. O FC Porto entrou a alta velocidade no campeonato, goleando o Chaves por 5-0 e ficando às portas de uma goleada histórica, tantas foram as oportunidades flagrantes para aumentar a vantagem. A conquista da Supertaça injectou muita confiança na equipa, soltando-a e dando-lhe asas. O jogo de sábado foi disputado desde o seu início a um ritmo elevado e quando o 1º golo surgiu, aos 13 minutos, já os portistas tinham criado duas ou três oportunidades claras de golo.

 

  1. O campeão nacional apresentou-se com a mesma vontade, com o mesmo espírito de grupo e com o mesmo comprometimento com a vitória que o levaram à conquista do título na época passada. As principais características do seu jogo também se mantiveram inalteradas: jogo vertical, intenso, directo, com grande pressão sobre o adversário e muita circulação de bola que culmina com o aparecimento de muitas oportunidades de golo. Tudo isto executado com uma nota artística elevadíssima.

 

  1. Os problemas que este jogo levantava não eram despiciendos, mas Sérgio Conceição ultrapassou-os com a habitual mestria. O adversário prometia uma defesa férrea e o FC Porto tinha tido uma semana complicada para o seu sector mais ofensivo: Soares lesionado, Brahimi condicionado, Marega à parte. Estas dificuldades foram superadas com a recuperação de Brahimi, com muita energia em campo e com o treinador a potenciar o plantel que tem à disposição. Tem-se falado muito de reforços, mas é com alegria e admiração que vejo Otávio e Corona elevarem o valor desta equipa.

 

  1. A exibição foi de gala. Quem se deslocou ao Dragão ou viu pela televisão assistiu a 90 minutos de grande nível. As oscilações foram muito suaves e o espectáculo prendeu toda a gente até ao final. Mesmo aqueles que gostam de sair mais cedo por causa do metro ou do trânsito ficaram, desta vez, agarrados à sua cadeira.

 

  1. Quando tudo funciona assim tão bem o mérito tem de ser atribuído a todos. No entanto, não é possível passar ao lado de algumas exibições individuais: desde logo Sérgio Oliveira, pulmão e classe a encher o campo; Brahimi esteve endiabrado e desequilibrou o jogo a favor do FC Porto – além de ser um exemplo pela forma abnegada como recuperou da lesão; por fim, Diogo Leite, que se estreou na I Liga aos 19 anos com uma exibição segura e eficaz. É já grande a expectativa pelo jogo com o Belenenses.