1. Foi uma vitória arrancada a ferros. O FC Porto passou por muitas dificuldades para derrotar o Belenenses por 2-3 na sua nova casa, o Estádio do Jamor. Foram três pontos conquistados “in extremis”, com o terceiro golo a surgir de penalti assinalado aos 91 minutos e 30 segundos, depois de os portistas terem desperdiçado uma vantagem de dois golos. Foi, também por isso, uma vitória muito festejada por todos: por Alex Telles, que converteu a grande penalidade, pela equipa em campo, por todos os que estavam no banco e por todos os portistas que estavam nas bancadas – uma impressionante mole humana que se deslocou a Oeiras para apoiar o FC Porto (mais de doze mil adeptos azuis e brancos) mas que teve o engenho de nunca aparecer na transmissão televisiva…

 

  1. A vitória foi difícil porque o FC Porto esteve abaixo do esperado. O calor e a relva dificultaram muito o trabalho mas a verdade é esta: a defesa não foi tão contundente quanto se exige; o meio campo não teve o fulgor habitual, não conseguiu sacudir a pressão do Belenenses e teve menos posse e circulação de bola, o que impediu a equipa de guardar a vantagem de dois golos; o ataque não teve a mobilidade usual, esteve menos criativo e a profundidade apareceu poucas vezes, assim como as oportunidades (apesar dos três golos e da bola à trave). A verdade é que ainda estamos no início da temporada e é mais difícil ser consistente. Na temporada passada, depois da goleada ao Estoril, o FC Porto também derrotou com dificuldade o Tondela por apenas por 0-1.

 

  1. Mas o grande mérito tem de ser atribuído ao Belenenses. Silas, o treinador, tinha prometido um jogo positivo e uma equipa proactiva, e cumpriu. O Belenenses entrou mais forte do que o FC Porto, exerceu uma grande pressão sobre quem tinha a bola, o que dificultou muito a saída para o ataque portista, teve boas oportunidades de golo, esteve a perder por 0-2, recuperou para a igualdade a dois e vendeu muito cara a derrota. Foi uma equipa que demonstrou qualidade e ambição, o que só permite augurar grandes jogos e grandes resultados no futuro.

 

  1. As regras do futebol têm um elevado grau de subjectividade o que permite e concede uma grande liberdade de interpretação e de aplicação. Daí que o mais importante na arbitragem de um jogo seja a igualdade de critério na aplicação dessas regras. Ontem, Carlos Xistra e João Capela deram um excelente exemplo do que é manter essa coerência ao longo de uma partida. Para lances iguais, decisões iguais. Foi assim, também, que todos os especialistas avaliaram a arbitragem deste jogo. Límpida e transparente, como devia sempre ser.

 

  1. Só não entende isto quem não lhe interessar a verdade desportiva e a preservação da sanidade e da integridade da competição. É o caso do Benfica (twitter) e do jornal A Bola (capa de hoje). A estes não interessa a justiça nem a verdade. Nem tão pouco o futebol português. Eles querem lá saber! Só são importantes os interesses próprios do clube presidido por Luís Filipe Vieira, sejam eles legítimos ou não. Por eles são capazes de passar por cima e de denegrir todo e qualquer adversário, árbitro ou instituição. Vivem da suspeição.