1. O FC Porto perdeu por 2-3 na recepção ao Vitória de Guimarães, naquele que é um resultado histórico negativo para os portistas: a equipa treinada por Sérgio Conceição perde pela primeira vez em casa para o campeonato (17V, 1E e 1D) e os vitorianos vencem pela 1ª vez no Dragão. Foi um resultado surpreendente, mas que não deixa de ter alguma justiça, e que premeia acima de tudo a eficácia ofensiva do Guimarães. Numa jornada em que podia alcançar a liderança isolada do campeonato, os portistas acabam por ficar atrás de quatro equipas.

 

  1. O campeão nacional esteve irreconhecível, mas fez lembrar muito a exibição da jornada anterior frente ao Belenenses. A identidade do FC Porto campeão nacional assentou numa entrada forte no jogo, na procura constante do golo seguinte, na pressão alta, na agressividade, na intensidade de jogo e velocidade na circulação de bola, num jogo dinâmico e profundo pelos três corredores, muita gente na área e muitas oportunidades contruídas. Este Porto não apareceu nas duas últimas jornadas.

 

  1. Em duas jornadas consecutivas o FC Porto permite que o adversário recupere de uma vantagem negativa de dois golos: isto seria simplesmente impensável há 15 dias atrás. Mas a verdade é que, mesmo sem o fulgor habitual, os portistas conseguiram chegar a essa vantagem nos dois jogos, mas depois foram incapazes de a preservar. Instalando-se uma certa apatia, um abrandamento que permitiu aos adversários uma natural recuperação.

 

  1. As responsabilidades recaem sobre toda a equipa. Todos cometeram erros defensivos, todos foram incapazes de controlar o jogo a meio-campo e todos foram mais lentos e previsíveis e falharam golos no ataque. A defesa, sector que sofreu mais alterações em relação à época passada, tem de ser trabalhada e o sistema defensivo tem de ser corrigido e afinado; o meio-campo tem de ser mais dinâmico e eficiente e o ataque mais móvel, desequilibrador e finalizador. Tem a palavra Sérgio Conceição.

 

5. Claro que também há mérito, e muito, do Vitória de Guimarães. A equipa subiu bastante em relação aos jogos anteriores: apresentou-se mais organizada, mais compacta, mais agressiva e mais disponível para lutar. Soube capitalizar o abrandamento dos portistas, não se inibindo de ir à procura do melhor resultado, e acabou por ser extremamente feliz: máxima eficácia ofensiva e Douglas a fazer uma mão cheia de defesas “impossíveis”.