EM ALTA

MINISTÉRIO PÚBLICO

A sensação de que a justiça nunca atinge os poderosos faz parte do passado.

E isso deve-se à liderança de Joana Marques Vidal, actual Procuradora-Geral da República.

O seu mandato fica para a história como o da emancipação do Ministério Público.

Portugal é um país altamente corrupto, em que a vida de muitos é condicionada por poucos. Foi reconfortante assistir à liberdade com que os procuradores puderam trabalhar e verificar que ninguém ficou de fora: foram investigados, acusados e julgados figuras como primeiros-ministro, ministros, juízes, procuradores, banqueiros, administradores públicos, empresários, dirigentes desportivos, clubes de futebol.

A recondução da actual Procuradora não é uma questão de direita ou de esquerda. É uma questão de regime. Se queremos ou não uma democracia mais saudável. Um país no qual possamos voltar a confiar e a ter esperança num futuro melhor.

A SUBIR

FC PORTO

O clube esteve muito activo nos últimos dias e dos quais a equipa saiu claramente reforçada. Os alvos foram seleccionados com precisão e atacados com determinação. Jorge chegou do Mónaco para ser alternativa a Alex Telles, agora e no futuro; Bazoer veio do Wolfsburgo para reforçar o meio-campo; Marega e André Pereira renovaram e prolongaram os seus vínculos ao clube.

O plantel ficou, assim, com mais alternativas e com maior capacidade de enfrentar os desafios que tem pela frente. A época é longa e altamente exigente e Sérgio Conceição não quer deixar cair nenhuma competição. 

Os desafios externos são reais e o seu combate também passa pela construção de planteis e equipas competitivas.

ESTÁVEL

SPORTING

Bruno de Carvalho quase destruiu o clube. Os danos infligidos foram tantos e de tal monta que mais parecia que só por milagre ele se voltaria a reerguer. 

A verdade é que as consequências desta presidência foram devastadoras e perdurarão no tempo, mas o clube soube, de alguma maneira, encontrar as pessoas certas, que com boa vontade, com inteligência, com determinação e com imaginação encontraram os melhores caminhos que permitirão devolver no futuro o Sporting ao seu estatuto: o de uma das maiores instituições desportivas deste país.

O clube e os seus adeptos devem um agradecimento a Sousa Cintra, Jaime Marta Soares e Torres Pereira pelo seu trabalho e pelo seu sportinguismo.

Esta parte do percurso está feita e o testemunho foi entregue em boas condições, compete agora ao novo presidente saber aproveitá-lo e, sendo inclusivo, construir um futuro sólido.

A DESCER

IPDJ

O que se passou e o que se passa neste organismo público é um óptimo exemplo daquilo que não queremos que aconteça com o que é de todos nós.

Augusto Baganha, presidente demitido, manteve-se em silêncio durante muitos anos e quando falou (“a polícia não tem qualquer problema com as claques do Benfica”) mais devia ter estado calado (porque veio a confirmar-se que não era verdade). Agora que foi demitido é que vem falar das pressões políticas que resultavam das pressões clubísticas, dos vetos de gaveta do seu vice-presidente, dos quatro dias em que o estádio da Luz esteve interdito e de que vai processar o secretário de estado do desporto.

Vitor Pataco, ex-director de uma empresa do Benfica, ex-vice-presidente e nomeado novo presidente do IPDJ, ao que parece mandou arquivar dezenas de autos da polícia que denunciavam apoios ilegais do Benfica às suas claques e manteve na gaveta por longos meses o processo que levaria ao castigo do Benfica por causa dessas mesmas claques. Agora que se perfilam novos processos ao SLB será sensata a sua nomeação? Terá condições para exercer o seu mandato? Eu digo que não.

João Paulo Rebelo, Secretário de Estado do Desporto e típico “boy” partidário, manteve-se inoperante estes anos todos, assistindo mudo e quedo a todas estas ocorrências. Quando falou, foi redundante. Agora, naquilo que mais parece uma cedência a interesses, nomeia para a presidência do instituto o homem dos arquivamentos e dos vetos de gaveta. Para piorar todo o cenário, vem em defesa do seu nomeado alegando factos que acabam por ser desmentidos pelas actas das reuniões do próprio instituto. Ainda não foi demitido, mas já não tem qualquer autoridade.

EM QUEDA LIVRE

BENFICA

A SAD benfiquista foi formalmente acusada de 30 crimes no processo e-toupeira e o seu director Paulo Gonçalves de 79 crimes. A SAD é acusada de corrupção activa, de oferta ou recebimento indevido de vantagens e de crimes de falsidade informática; o seu director é acusado de corrupção activa, de oferta ou recebimento indevido de vantagens, de violação de segredo de justiça, de violação de segredo por funcionários, de acesso indevido, de violação do dever de sigilo, estes três últimos em co-autoria, e pelo crime de falsidade informática.

O Ministério Público diz ainda que Luís Filipe Vieira tinha conhecimento destes factos ou que os autorizava e que nunca os impediu.

A ligação de Paulo Gonçalves à SAD é óbvia, continuando ainda hoje a ir às assembleias gerais da Liga em representação do Benfica. Por outro lado, se todas estas acusações fossem novidades para o presidente e restantes administradores da SAD, este era o momento em que lhe instauravam um processo disciplinar ou punham fim à sua colaboração.

Para terminar, quero salientar o seguinte facto: para que seja aplicada a pena acessória de suspensão da actividade da SAD basta que o juiz entenda que os factos praticados são muito graves. Não é necessário provar o benefício em jogos concretos, nem ligar os factos a pessoas em concreto. Basta, repito, que se considerem graves os factos praticados pela SAD ou seus representantes.

O processo aberto pelo Conselho de Disciplina da Federação é que pode levar às sanções desportivas, tais como perda de pontos, de títulos ou eventuais descidas de divisão.