1. O FC Porto estava obrigado a vencer na Madeira para aproveitar a derrota do Benfica, em casa, frente ao Moreirense por 1-3 e, assim, fazer uma demonstração de força inequívoca das suas capacidades e da sua verdadeira determinação em chegar ao bi-campeonato. O adversário é tradicionalmente difícil, mas os portistas conquistaram a segunda vitória consecutiva no estádio do Marítimo, depois de seis épocas sem vencer e, com este triunfo, a equipa chegou à quinta vitória consecutiva da temporada, o que constitui a melhor série do ano todo.
  2. Foi uma vitória muito difícil e o FC Porto teve de usar os seus melhores recursos para ultrapassar o Marítimo. Os madeirenses apresentaram-se num sistema super cauteloso com cinco defesas, quatro médios e apenas um jogador com disposição atacante. O FC Porto teve muitas dificuldades para ultrapassar este esquema: jogou sempre em largura e profundidade mas sem conseguir desequilibrar ou furar a defesa e entrar na área. Só o conseguia através de remates fora da área ou de bolas pelo ar. E, com a exceção de Corona, só de bola parada. O ritmo era baixo, faltava imaginação e o jogo tornava -se previsível.
  3. Na segunda parte tudo mudou. O FC Porto entrou mais dinâmico e mais intenso e começou a abrir brechas na muralha defensiva maritimista. A entrada de Otávio acabou por dinamitar por completo a resistência do Marítimo com um golo e uma assistência para golo. A partir daí o FC Porto criou oportunidades até para chegar à goleada. O ponto negativo continua a ser a dificuldade em converter grandes penalidades, que pode ser muito penalizador para a equipa e que até já custaram alguns troféus.
  4. Foram dois golos bonitos aqueles que o FC Porto marcou ao Marítimo: no primeiro, Óliver livra-se de três adversários, mete em Brahimi que estava encostado à linha e a partir daí foi tudo ao primeiro toque – Soares e Marega – até ao remate final de Otávio. O segundo é uma lição de contra-ataque, conduzido superiormente por Óliver, que soltou para Otávio assistir Marega. Dois hinos ao futebol! Em que o entendimento colectivo potenciou a qualidade individual. Ou vice-versa.
  5. A equipa continua a subir de rendimento, demonstra sempre uma grande atitude e aproxima-se daquilo que produziu na época passada. Tem, nesta altura, o melhor ataque e a melhor defesa da prova. A gestão que fez do jogo depois de chegar à vantagem é esclarecedora quanto à sua maturidade e ao nível de confiança que atravessa. O treinador vai “fazendo” jogadores, acrescentando alternativas e exponenciando o valor do plantel, que é hoje maior do que no início da época.