1. O FC Porto derrotou o Boavista por 1-0 e segurou a liderança isolada da I Liga. Não foi uma vitória fácil mas foi, certamente, uma vitória merecida. Os portistas, que vinham de uma jornada europeia a meio da semana, nem sempre jogaram bem mas o esforço que fizeram e a determinação que demonstraram justificaram por  completo o golo e a vitória no último minuto do jogo.

 

2. Os jogos entre FC Porto e Boavista são  um clássico do futebol português, claro, mas antes disso são o derby de uma cidade que vive intensamente tudo aquilo que lhe diz respeito. Estes encontros, sobretudo os que são disputados no Bessa, têm uma aura muito própria, única até, que fazem com que sejam duelos muito intensos e muito competitivos. É aquele momento em que a equipa teoricamente menos apetrechada e com menor representatividade tem a possibilidade de bater o pé àquele que é o maior embaixador da cidade e da região. Esta faceta esteve muito presente ontem, naquilo que Sérgio Conceição muito apropriadamente caracterizou como a batalha do Bessa.

 

3. O FC Porto foi a equipa mais forte desde o início mas o desnível entre ambos foi atenuado precisamente pelo tal espírito e empenho que o Boavista põe neste jogo. A verdade é que os portistas tiveram muita dificuldade em impor-se e, a certa altura, tiveram mesmo muita dificuldade em fazer o jogo ou a bola chegarem à área boavisteira. Só com a argúcia do seu treinador e a determinação dos seus jogadores é que foi possível vencer esta batalha.

 

4. Num jogo tão intenso e disputado é natural que surjam situações que sejam de difícil decisão. Hugo Miguel esteve bem numas e mal noutras. Deixou o Boavista abusar no número e na dureza das faltas; no golo anulado ao FC Porto e no eventual penalti sobre um jogador do Boavista esteve bem: sem linhas não é possível ter a certeza que Herrera não estava fora de jogo; no penalti, o jogador já está a mergulhar antes do eventual contacto faltoso. Onde esteve verdadeiramente mal foi ao expulsar Sérgio Conceição: o jogo foi muito disputado e o resultado incerto até ao ultimo minuto. É natural que se festeje com mais emoção e efusividade. Já é a segunda vez que este bandeirinha expulsa o treinador do Porto esta época. Haverá aqui algum preconceito ou perseguição?

 

5. O clima no futebol português está agreste. Há clubes atolados em processos até ao pescoço, clubes que despedem treinadores à noite mas de manhã mudam de opinião, clubes cujas prestações europeias são humilhantes e que decepcionam muito os seus adeptos e um empate do FC Porto nesta altura vinha mesmo a calhar para disfarçar a situação e tentar reconstituir uma narrativa perdida. Daí uma reacção tão amarga à vitória azul e branca. Parece que não entendem ou não querem aprender: esta equipa do Sérgio Conceição não vai vencer os  jogos todos, mas podem ter a certeza que vai lutar por isso com todas as forças até ao último momento de cada jogo.