1. O FC Porto empatou pela segunda vez consecutiva no campeonato e permitiu uma maior aproximação do segundo e do terceiro classificado. A vantagem que os portistas souberam conquistar ao longo da prova era de tal monta que, mesmo com esta série negativa de dois empates, continuam líderes isolados. São já 26 jogos consecutivos sem conhecer o sabor amargo da derrota e é sobre esta base que tem de ser construído o que falta jogar da época.

2. O FC Porto tem sentido muitas dificuldades em jogar em Moreira de Cónegos: em doze jogos venceu 5, empatou outros 5 e perdeu por duas vezes. Já lá vão quatro épocas sem vencer. Há coisas difíceis de explicar e esta é uma delas. O ambiente não é especialmente hostil, o campo é mais pequeno mas tem boas condições e não é “claustrofóbico”, o Moreirense tem jogado quase sempre para não descer. Resta a explicação possível que é dizer que isto é futebol e que cada jogo é um jogo.

3. Os empates que o FC Porto consentiu nas últimas jornadas são todos diferentes e cada um deles tem a sua explicação: em Alvalade não foi capaz de ultrapassar a estratégia superdefensiva de um Sporting transfigurado, mais pequenino, muito fechado e recuado; no D. Afonso Henriques jogou o suficiente para vencer por dois ou três golos de diferença, mas não foi capaz de concretizar uma das 5 ou 6 oportunidades de golo cantado que criou; em Moreira de Cónegos, fez, talvez, o pior jogo da época.

4. O Moreirense é a grande sensação do campeonato. Tem uma excelente equipa, um treinador competente e consistente e pratica um futebol positivo e ambicioso. Nesta sequência de 26 jogos invictos, o Moreirense foi quem mais perto esteve de derrotar o FC Porto. Consistente a defender, forte no meio-campo e perigoso no ataque, justifica perfeitamente o 5º lugar ainda mais isolado que ocupa. E ajuda a explicar o empate portista.

5. A exibição do FC Porto frente ao Moreirense não deixa saudades. Os primeiros 30 minutos de jogo ainda prometiam algo de positivo, mas o golo não entrou numa das poucas oportunidades criadas, a equipa foi perdendo fulgor e o Moreirense foi emergindo. Ao FC Porto faltou velocidade na circulação de bola, faltou jogar em futebol apoiado, não houve profundidade no ataque (muitas bolas pelo ar), foram criados poucos desequilíbrios, a bola chegou pouco à área e, quando chegou, faltou clarividência no último passe ou no último toque. Depois da dupla substituição a equipa pareceu mais organizada e acutilante, mas foi sol de pouca dura. Valeu a reacção ao golo sofrido e a vontade, a personalidade e o instinto para chegar ao empate. E para quase ter chegado à vitória no último suspiro do jogo. É desta fibra que ainda se fazem os campeões.