EM ALTA

RUI PINTO

A Eurojust, com sede em Haia, é a agência da União Europeia para as questões judiciais decorrentes, essencialmente, do combate ao crime organizado. A agência esteve reunida esta semana para discutir e coordenar a investigação e o combate à lavagem de dinheiro e à fraude fiscal agravada, reveladas pelo bem conhecido processo “Football Leaks”. Rui Pinto, o denunciante português que expôs parte destes crimes e que permitiu que as investigações avançassem substancialmente, viu o seu papel ser reconhecido e valorizado por várias entidades judiciais de vários países, tendo mesmo as autoridades francesas anunciado que o português testemunhou perante elas de livre vontade e que as provas por ele fornecidas iriam ser utilizadas no combate a esses crimes. No total, serão mais de 100 milhões de ficheiros. Pena que existam vários países que temem que Portugal destrua alguns dos documentos por ele divulgados.

A SUBIR

MANAFÁ

Grande estreia do lateral contratado pelo FC Porto ao Portimonense no mercado de inverno. Veloz, boa técnica, bons centros, atrevido. Manafá foi o verdadeiro ala: resolveu com competência os problemas na defesa e atirou-se para a frente, dando profundidade e largura ao ataque da equipa. Se revelar a mesma competência e capacidade a defender pode agarrar o lugar em definitivo.

ESTÁVEL

LIGA EUROPA

A eliminatória acabou ter o desfecho que era mais previsível para as equipas portuguesas depois da 1ª jornada. O Benfica passou e o Sporting ficou pelo caminho. O Sporting comprometeu a eliminatória logo em Alvalade com uma exibição paupérrima. Aquele golo de Bruno Fernandes em Villareal ainda deu esperança mas a expulsão de Jefferson foi a sentença final. O Benfica passou com justiça os turcos do Galatasaray. Só foi pena que não o tenha conseguido com duas vitórias. Que foi o que o FC Porto fez na Liga dos Campeões. É que todos os pontinhos são preciosos.

A DESCER

HUGO MIGUEL/NUNO ALMEIDA

Estes dois árbitros foram protagonistas de duas arbitragens infelizes na última jornada da I Liga. Hugo Miguel não teve a coragem de expulsar Rúben Dias quando este comete falta para segundo amarelo e deixou por assinalar um penalti contra o Benfica depois de Samaris ter jogado, ajeitado e segurado a bola com a mão dentro da área. Penso que a vitória não fugiria ao Benfica mas o resultado seria certamente diferente. E a próxima jornada também. Hugo Miguel já tinha revelado a mesma falta de coragem ao perdoar a mesma expulsão a Bruno Fernandes no jogo Sporting x FC Porto: o jogador esteve 45 minutos a mais em campo e o mais provável era a sua equipa acabar por claudicar. Nuno Almeida deixou que o Vitória de Setúbal fizesse dos jogadores do FC Porto saco de pancada. Danilo saiu lesionado e Corona safou-se, por sorte, do mesmo destino. É urgente que os árbitros estejam mais concentrados, atentos e apliquem as regras de forma igual a todas as equipas.

EM QUEDA LIVRE

SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA

Já tinha falado deste tema em Outubro de 2018 mas as recentes notícias obrigam-me a voltar a ele. À Justiça não basta ser séria, também precisa de o parecer. E a chegada de alguém como Ricardo Costa ao mais alto tribunal judicial da nação é um golpe na credibilidade do qual dificilmente recuperará. O processo que leva o ex-presidente do Conselho de Disciplina da Liga até ao Supremo deve ser legal e administrativamente inatacável, mas o seu percurso de vida não é. Para se chegar até aqui não devia bastar cumprir uma série de requisitos académicos, administrativos ou legais. Devia ser obrigatório avaliar a conduta do candidato nos cargos que ocupou. E no futebol, Ricardo Costa não foi imparcial, equidistante nem isento. Mesmo depois de sair manteve relações semiclandestinas e muito próximas com um dos clubes. Pior, as decisões mais relevantes que tomou foram todas anuladas, revogadas ou alteradas por órgãos e tribunais superiores. Veja-se o “Caso do Túnel da Luz” e o processo “Apito Final”. Devia ser matéria suficiente para desaconselhar ou impedir a sua nomeação.