1. O FC Porto foi a Tondela vencer por 3-0, fazendo uma demostração de força, carácter e categoria. Se esta era uma deslocação antevista por todos como de enorme dificuldade e que funcionaria como teste à equipa, então ela não só o passou como o fez com distinção: o Tondela é uma equipa competitiva e no seu estádio caíram algumas das melhores equipas do nosso campeonato; o FC Porto não podia contar com Militão na defesa, com Danilo no meio campo e, sobretudo, com Marega, Soares, Brahimi e Aboubakar no ataque.

2. Sérgio Conceição voltou a demonstrar toda a sua mestria e mais uma vez refez, reinventou e reergueu jogadores e uma equipa. É um grande treinador, que eu gostaria de ver por muitos anos no FC Porto. É que, além de tudo o que já acima escrevi, Sérgio Conceição está impregnado de portismo. Sabe exactamente o que representa aquela camisola e aquele símbolo e o que é obrigatório ser e ter para a poder vestir. É um caso raro de simbiose perfeita entre clube e treinador.

3. O FC Porto realizou uma excelente exibição. Entrou fortíssimo em cada uma das partes, abrindo o marcador e chegando ao golo da tranquilidade em cada um desses momentos. O nível de jogo foi elevado e a equipa teve a capacidade de o conseguir manter ao longo de quase todos os noventa minutos. O Tondela demorou a perceber a dinâmica do FC Porto, tal como o seu treinador o admitiu, e quando tentou dar um ar da sua graça, logo os portistas chegaram ao 2-0 e terminaram com quaisquer veleidades. Nem sempre temos visto esta personalidade ao longo da época.

4. Como já vimos, as lesões e os castigos obrigaram o treinador portista a refazer a equipa e este aproveitou para criar um novo FC Porto. Uma equipa que já não tem a sua força principal na pressão alta, na velocidade e na profundidade, mas sim num futebol construído a partir de traz, muito apoiado e móvel e que progride com a bola em posse. Isto, mantendo a mesma intensidade, a mesma capacidade de disputar e vencer os duelos individuais e de recuperar as segundas bolas. É um jogo mais refinado, mais tecnicista e que melhor se adequa aos novos protagonistas.

5. A força e a qualidade da exibição colectiva faz-se da soma dos desempenhos individuais. O FC Porto apresentou a titulares três dos reforços de inverno: Pepe, Manafá e Fernando Andrade e todos revelaram capacidade para servirem a equipa; a defesa esteve irrepreensível; no meio campo estiveram dois monstros – Herrera (grande capitão) sempre em todo o lado e a dar tudo e Óliver a ser o maestro e grande pensador do jogo portista; na frente, Ádrian Lopez beneficia muito desta maneira de jogar da equipa e contribuiu muito para a vitória, Fernando Andrade vai a todas, demonstrando uma enorme disponibilidade e Corona é um autêntico abre-latas. Otávio é o elemento que melhor interliga o jogo da equipa.