1.      Dezassete jornadas depois o FC Porto voltou a perder no campeonato. E contra o mesmo adversário. Desta vez o jogo foi no Dragão e 1-2 foi o resultado. A consequência da derrota foi pesada: perdeu o primeiro lugar e o adversário ficou com vantagem no confronto directo e saiu do Porto com os níveis de confiança em alta.

 

2.      A vitória do Benfica aceita-se e é legítima mas não é totalmente justa. Em jogo jogado as equipas equilibraram-se e se houve períodos em que uma das equipas se superiorizou à outra, eles pertenceram ao FC Porto. O Benfica chega à vitória porque foi claramente superior no capítulo mais importante e decisivo: a eficácia. No ataque, com quatro remates enquadrados criaram três oportunidades e marcaram dois golos. O FC Porto esteve muito mal nesse capítulo vital: para além de ter facilitado nos golos encarnados, rematou dez vezes dentro da área, sete vezes à baliza mas só marcou um golo.

 

3.      O FC Porto fez uma exibição abaixo do que é habitual. Os portistas costumam ser uma equipa confiante, que impõe o seu jogo e o domina. Contundente. No sábado nunca estiveram confortáveis no jogo. Mesmo depois de chegarem à vantagem. O meio campo do FC Porto foi menos intenso, agressivo e dominador do que o costume e isso foi fatal. Faltaria mais uma peça? Enquanto o Benfica ia matando com faltas o início das transicções ofensivas portistas, o FC Porto nunca exerceu essa pressão e deixou os médios benfiquistas sempre mais à vontade. O Benfica fez 21 faltas (e viu quatro curtos amarelos), o FC Porto apenas 11.

 

4.      A estatística não ganha jogos nem marca golos, mas ajuda a perceber muito do que se passou em campo. E a verdade é que o FC Porto dominou em todos os outros capítulos: fez mutos mais cruzamentos, rematou muito mais e com mais remates enquadrados, foi mais eficaz nos passes, ganhou mais duelos, teve mais cantos e muito mais posse de bola. Tudo isto conta para avaliar o comportamento da equipa e, acima de tudo, para tentar antever o futuro. Com estes números percebe-se que não faltou atitude, nem compromisso, nem motivação. Foi apenas uma noite em que as coisas correram menos bem e em que se cometeram erros que não podem voltar a acontecer. Todos erraram, todos têm algo a corrigir.

 

5.      Marega regressou em grande forma. Foi mesmo o melhor Dragão em campo. Lutou, ganhou duelos sem fim, deu profundidade, serviu os colegas, tentou levar a equipa às costas. Mas faltou-lhe companhia. Soares e Otávio entraram muito bem no jogo, só que talvez um pouco tarde. Aqui e ali sentiram-se saudades de Militão e Danilo. Antes deste jogo tinha dito que não o considerava decisivo. Era muito importante e, se alguém o vencesse, ficaria acima de tudo com uma importante vantagem moral. Continuo a pensar exactamente o mesmo. Faltam muitos jogos, não há equipas imbatíveis e os percalços acontecem quando menos se espera. Há que continuar a trabalhar, a lutar e a acreditar. Na época passada também se perdeu a liderança por alguns jogos mas depois o FC Porto acabou Campeão Nacional.