1. O FC Porto derrotou o Feirense por 1-2 e regressou, provisoriamente, ao primeiro lugar do campeonato. A vitória foi difícil mas foi justa. Era um jogo que se adivinhava complicado depois dos 120 minutos contra a Roma que deram o apuramento para os ¼ de final da Liga dos Campeões. Era preciso “mudar o chip” e fazer a equipa regressar à realidade do futebol nacional, testando a sua capacidade física e mental.
  2. O primeiro a querer testar a equipa foi o próprio treinador, Sérgio Conceição, ao fazer alinhar o mesmo onze que eliminara a Roma quatro dias antes. A mensagem era clara: todos os jogos são importantes e todos são para ganhar; Roma e Feirense exigem o mesmo respeito e atitude. A verdade é que a prova foi superada. A nota artística não foi brilhante, mas o carácter dos jogadores e a determinação que a equipa pôs em campo não deixaram dúvidas sobre o que pensam sobre as nove finais que faltam.
  3. A entrada em jogo do Feirense surpreendeu toda a gente: velocidade, pressão alta, aposta na profundidade e… autogolo de Filipe. Portanto, a equipa que ocupava o último lugar no campeonato, que já não vencia há 22 jogos e que está cada vez mais próxima da descida, marcava um golo ao campeão nacional (melhor defesa da prova) e adiantava-se no marcador logo a abrir o jogo. Se o jogo já era difícil, mais difícil ficou.
  4. A reacção do FC Porto foi fortíssima e rapidamente encostou o Feirense à sua defesa. As oportunidades de golo foram aparecendo e aos 35 minutos a reviravolta estava consumada. O primeiro teste estava ultrapassado: a equipa soube reagir, com energia e clarividência, ao golo sofrido. A restante hora de jogo mostrou a bravura e a resistência física do plantel: não conseguindo o (merecido) terceiro golo que fecharia o jogo, os jogadores do FC Porto empenharam-se em preservar a vantagem e os três pontos em causa. Aguentaram em campo com valentia e coragem e evitaram que a reacção desesperada do Feirense desse frutos. Os adeptos devem ter orgulho de todos eles.
  5. Num jogo em que foi o colectivo a resgatar os três pontos pode parecer injusto destacar algum desempenho individual, mas não fujo a essa avaliação: Herrera foi o mais consistente ao longo dos 90 minutos e encheu literalmente o campo, aparecendo em todo o lado onde a equipa precisava; Pepe marcou um golo decisivo e impediu outro do Feirense; Casillas esteve sempre atento às sobras; Filipe, Danilo e Soares são aqueles guerreiros que gostávamos de ter ao nosso lado se fossemos para a guerra; Corona criou os lances de maior perigo, quer de bola parada, quer em bola corrida. De uma coisa eu tenho a certeza: podem contar com o FC Porto para as nove finais que faltam.