Sempre ouvi dizer que quem diz a verdade não merece castigo.

Mas, se a verdade tiver um preço, então que ele seja pago!

A sentença de hoje tem vitórias e derrotas para ambos os lados. Mas a montanha pariu um rato.

Ainda assim, há conclusões que se têm de retirar de imediato:

1. Os emails do Benfica e o seu conteúdo são definitivamente verdadeiros – logo, todos aqueles indícios de crimes, ilicitudes e imoralidades que põem em causa a verdade desportiva têm de ser analisados e investigados com mais rigor, vigor e profundidade do que nunca;

2. A confissão, antes, e a confirmação judicial, agora, da veracidade dos emails e do seu conteúdo põem mais pressão e responsabilidade nos ombros de quem investiga esses crimes. Ninguém iria entender que resultasse em nada;

3. A Federação, a Liga e a justiça desportiva estão obrigadas a actuarem e a deixarem de se fingir de mortos. Não é mais possível assobiarem para o lado. A integridade das competições está posta em causa e a sua verdade e legalidade têm de ser repostas o mais rápida e indubitavelmente  possível ;

4. Em Portugal condena-se e persegue-se quem denuncia crimes e absolve-se e protege-se quem é suspeito de os praticar: o FC Porto expôs uma série de factos que, na opinião do Ministério Público, configuram um esquema altamente complexo de actividade criminosa. Esta denúncia é obviamente do interesse público, mas este tribunal entendeu o contrário e quem é condenado é quem revela a verdade. Sem nunca expor o que era privado. E sem truncagem! Os exemplos que se pretendem passar como adulteração do sentido das frases não têm aderência à realidade. Qualquer um pode constatsr isso.

P.S. – Devia ser um pormenor irrelevante, mas a um juiz que dita uma sentença em que estão em causa FC Porto e Benfica não fica bem apresentar-se com aquela gravata.