1.       O FC Porto assumiu a liderança do campeonato após derrotar por 3-0 o anterior líder, o Famalicão. Assistimos a uma ultrapassagem directa, sem mácula e sem hipótese de reacção. Os portistas têm agora o melhor ataque da Liga e a melhor diferença entre golos marcados e golos sofridos. No Dragão, ainda não consentiram qualquer golo.

2.       A vitória sobre o Famalicão começou na cabeça do treinador, Sérgio Conceição. Três jogadores saltaram para a titularidade, um mudou de posição, subindo no terreno, dois foram para o banco e outro ficou na bancada. O sistema passou do habitual 4x4x2 para um 4x3x3, mais apto a defrontar adversários mais fortes mas que naturalmente concedem mais algum espaço. O 4x4x2 é para abafar autocarros. E, mesmo assim, abdicando da vaca sagrada que é a procura da profundidade a todo o custo.

3.       A entrada de Mbemba para lateral direito permitiu ensaiar uma nova saída de bola, muitas vezes com uma linha de três, mas em que o terceiro elemento era Mbemba e não Danilo. Isto permitiu uma subida no terreno dos dois médios, que podiam receber a bola e pressionar mais à frente e oferecerem à equipa mais capacidade no jogo interior. O novo alinhamento táctico permitiu ao Danilo deixar de fazer tantas “piscinas” e ao Uribe que deixasse de correr tanto atrás da bola. Com Otávio a fazer de terceiro elemento no meio-campo (e de segundo avançado no ataque) o miolo ganhou consistência, equilíbrio e fantasia. A surpresa da noite foi a exibição de Manafá. Talvez a melhor ao serviço do FC Porto. Afoito e veloz, como sempre, na procura da profundidade ofensiva, mas desta vez com muito mais critério na hora da decisão.

4.       Com uma defesa mais eficaz e segura e com um meio campo mais consistente e inteligente, o ataque pôde ser mais dinâmico, desequilibrador e demolidor. Corona e Luís Diaz são extremos de grande categoria e capazes de decidir um jogo a qualquer altura. Têm golo, jogo exterior e jogo interior. O ataque portista soube criar muitas oportunidades de golo, concretizou três e muitas outras podiam ter entrado. O guarda-redes do Famalicão aos 14 minutos de jogo já levava duas enormes defesas. A grande arma ofensiva da noite foi, contudo, a pressão intensa exercida sobre o início da construção ofensiva do Famalicão que obrigou ao erro e acabou em três golos marcados. Foi bonito de ver.

5.       O FC Porto fez uma exibição colectivamente convincente, harmoniosa, criativa, inteligente. Cada um dos jogadores pareceu que correu menos e que fez mais. Mas não posso terminar esta crónica sem uma palavra para Fábio Silva, o mais jovem jogador de sempre a marcar pelo Dragão. Não pela idade ou por ser um produto da formação azul e branca, nem pelo talento puro e a classe que transparece. O que me entusiasma em Fábio Silva é a alegria, o entusiasmo e a entrega que leva para dentro do campo. É um vulcão em movimento cuja energia contagia a equipa e as bancadas. Com inteligência, trabalho e humildade pode ser um dos melhores do futebol mundial.