1. Ontem assistimos a um daqueles jogos típicos do futebol português e que tanto desprestigiam a competição. Tirando os portistas e os anti-portistas ninguém viu o jogo até ao fim. Um relvado que parecia ter chegado da Síria ou do Afeganistão; uma equipa a abusar do contacto e intimidação física; e que apenas se preocupou em defender, recorrendo ao manual completo do antijogo e falta de fair-play; um árbitro habilidoso, sobranceiro e conivente com tudo isto.
2. Depois de duas vitórias consecutivas no Caldeirão dos Barreiros, o FC Porto voltou aos resultados negativos frente ao Marítimo. Infelizmente tem sido o mais habitual nas últimas temporadas: antes de Sérgio Conceição, o último treinador portista a derrotar o Marítimo na Madeira tinha sido Vítor Pereira, em 2012. A consequência a médio/longo prazo até pode não existir, mas este empate fez o FC Porto perder no imediato a liderança do campeonato.
3. O jogo foi mau e ponto final. O Marítimo jogou sempre com o bloco muito baixo, com os onze jogadores no seu meio campo e conseguiu durante muito tempo (tempo demais…) pressionar fortemente o portador da bola portista. A arma para contrariar este jogo tinha de ser a velocidade de circulação da bola, a oferta de linhas de passe, a variação de jogo e ganhar e desequilibrar no um para um, o que raramente aconteceu. O futebol portista foi quase sempre mecanizado, pouco espontâneo e desinspirado.
4. O FC Porto lutou muito, e os seus jogadores deram fisicamente tudo o que tinham, mas bateu quase sempre de frente no autocarro madeirense, andando à volta da área mas sem conseguir entrar. Pelo menos com a bola controlada e de modo a criar mais e melhores oportunidades. Apesar de tudo isto o FC Porto bem que podia ter chegado à vitória: duas ou três boas oportunidades na primeira parte e outras tantas na parte final do jogo seriam suficientes não fosse a grande desinspiração dos avançados portistas.
5. Sérgio Conceição não conseguiu que a equipa jogasse ao nível habitual mas tentou de tudo a partir do banco. Zé Luís saltou cedo para o jogo e logo lhe seguiu Nakajima; mais tarde ainda entrou Alex Telles. A equipa melhorou colectivamente e acabou o jogo por cima, mas a desinspiração foi tão grande que, chegando para o empate, não foi suficiente para alcançar a vitória. O ritmo a que se têm sucedido os jogos (o FC Porto é a equipa com o calendário mais apertado) pode ter tido alguma influência na qualidade do jogo. Ainda assim, julgo que faltou mais inspiração do que transpiração.