1. O FC Porto foi ao estádio do Bessa derrotar o Boavista pela 6ª época consecutiva, ou seja, desde que o Boavista regressou à primeira divisão. A vitória foi justa e indiscutível e só peca por escassa. Os portistas não tiveram muitas oportunidades de golo mas as que conseguiram construir foram flagrantes. Uma vitória por dois golos espelharia melhor aquilo que se passou no jogo.
2. Este encontro tinha uma carga muito especial: para além de ser o derby da Invicta, o FC Porto vinha de um resultado negativo na europa, atravessando um período exibicional algo irregular, e foi surpreendido 24h antes do jogo pela infracção aos regulamentos internos por parte de quatro jogadores que, assim, ficaram fora da lista de convocados. Isto para além da lista de lesionados onde constavam jogadores como Pepe, Sérgio Oliveira e Romário Baró. Toda esta envolvente aparecia como um teste à resiliência, à dignidade e à capacidade de resposta e superação de cada jogador disponível, da equipa, dos adeptos e do clube. Creio que a prova foi superada por todos com distinção.
3. Este episódio fica assim como uma oportunidade bem aproveitada por todos para se valorizarem, robustecerem o espírito de equipa e à volta da equipa e reforçarem a imagem e o estatuto do clube. Como muito bem lembrou Sérgio Conceição, os jogadores passam mas o clube permanece. Sendo o FC Porto uma das maiores e mais respeitadas instituições do país, da europa e do mundo. Os jogadores responderam com uma vitória e uma exibição segura e personalizada; os adeptos compareceram em massa e apoiaram a equipa do primeiro ao último minuto; o treinador reforçou a sua liderança e ficou com a certeza de que o plantel é profundo e tem alternativas de qualidade que vão permitir lutar até ao fim por todas as provas.
4. De facto, Sérgio Conceição estreou ontem três jogadores que nunca tinham sido titulares no campeonato e a sua resposta foi adulta e muito positiva. Diogo Costa, Loum e Fábio Silva actuaram como se tivessem sido sempre titulares e contribuíram de forma decisiva para a vitória sobre o Boavista. Diogo Costa com a tranquilidade que passou à sua defesa e ao resto da equipa, Loum dando consistência e impondo-se na luta do meio campo (e com chegada à área adversária) e Fábio Silva, com a sua irreverência, irrequietude e combatividade, foi sempre uma dor de cabeça para a defesa axadrezada e com tempo ainda para ajudar a defesa nas bolas paradas. Só faltou o golo para a estreia perfeita.
5. O Boavista disputou este encontro de peito aberto e lutou até ao fim pelo melhor resultado. Foi uma equipa combativa sem ser violenta, praticando um futebol positivo que raramente recorreu ao antijogo. É uma equipa bem organizada, consistente na defesa e aguerrida no meio-campo, mas falta-lhe algo no ataque. O Boavista chegou poucas vezes à área do FC Porto e apenas uma vez com perigo. Viu-se cedo em desvantagem no marcador mas nem por isso esboçou uma reacção. O FC Porto teve sempre o jogo controlado e o resultado nunca esteve em perigo.