1. Terminou a primeira volta, quem está no primeiro lugar segue com sete pontos de avanço sobre o segundo mas quase toda a gente tem a sensação de que o título está praticamente entregue. Será isto normal? Serão sete pontos uma barreira assim tão intransponível? O clube que vai na frente é assim tão melhor que os outros? Será que esse clube, como alguns (coitados) começam a defender, é mesmo grande demais para o nosso campeonato? É que quando passam a fronteira ficam muito pequeninos. Cá para mim têm é um call center eficiente.
  2. O FC Porto perdeu em casa com o Braga e isso, não sendo normal, pode dizer-se que é futebol. Este é dos desportos em que mais vezes os “Davides” derrotam os “Golias”. Onde as coisas podem realmente correr mal. O que não é normal é existir uma equipa que ganha sempre, mesmo quando não joga o suficiente. No futebol existem três resultados possíveis, mas isso não é para todos. Numa altura em que se diz que as condições de treino são cada vez mais iguais para todos os clubes e em que as capacidades físicas dos jogadores são mais equivalentes, será normal uma equipa bater recordes do tempo do Eusébio? Não me parece, e é também por isso que existe aquela sensação de fim de festa que referi no primeiro ponto.
  3. O Braga venceu no Dragão e colocou o FC Porto mais longe do primeiro lugar. Foi uma jornada algo traumática para os portistas. Quando havia a expectativa de uma aproximação ao primeiro lugar, aconteceu precisamente o contrário. Para mais num jogo em que aconteceu de tudo: mal jogado durante demasiado tempo, dois penaltis falhados, dois golos sofridos de bola parada (um em que podia existir um fora de jogo posicional e outro marcado com as costas), em alturas inesperadas e contra a corrente do jogo – um logo aos cinco minutos e outro na melhor altura da equipa – e em que a fortuna esteve sempre de costas voltadas para os portistas. Tudo isto contribuiu para que no final a frustração e a revolta fossem maiores.
  4. É preciso dar mérito ao Braga na vitória: foi consistente, personalizado e eficaz. E não tem culpa da pior exibição do FC Porto. Teve sorte, claro, mas isso também faz parte do jogo. O primeiro golo sofrido afectou a equipa, que perdeu o discernimento por um largo período de tempo. Aos poucos foi voltando ao jogo mas termina a primeira parte a falhar um penalti. A melhor altura da equipa foram os primeiros trinta minutos da segunda parte. Apesar de mais um penalti desperdiçado, a equipa finalmente encontrou o ritmo e a fórmula certa para o jogo e foi à procura da vitória. Encostou o Braga à sua defesa, criou oportunidades e chegou ao golo do empate. A equipa galvanizou-se mas quando procurava o golo da vitória acaba por sofrer o 1-2. Foi um golpe demasiado profundo e do qual a equipa nunca mais recuperou. Os últimos minutos foram penosos face à incapacidade de reacção.
  5. Percebo que Sérgio Conceição não tenha feito alterações mais cedo. É que o melhor período da equipa foi precisamente a altura em que por norma se fazem as primeiras substituições. Mexer aí era estragar esse momento. Depois interveio, mas (quase sempre) mal. Pepe, Nakajima e, até, Romário Baró fazem falta à equipa, claro, mas a sua indisponibilidade não pode ser decisiva. O Otávio foi o melhor jogador no melhor período da equipa e merece que lhe seja dada mais importância na organização do jogo portista. Até porque a utilização conjunta de Danilo e Uribe é redundante. O FC Porto precisa de melhorar muita coisa para poder ser feliz no que resta da temporada. O treinador do FC Porto (que para mim é sempre parte da solução) vai ter de fazer alterações e mexer na equipa de modo a torná-la mais consistente no processo defensivo, mais criativa no processo ofensivo e mais eficaz no momento de atirar à baliza. O jogo tem de fluir de forma mais natural.