1. Em relação ao racismo não pode haver qualquer tipo de tolerância. Não há mas nem meio mas. Ou estamos num lado da barricada ou estamos no outro. Quem arranjar um mas fica logo do lado errado.

2. Marega portou-se como um Homem. Insultado desde o aquecimento (como provam os vídeos que já circulam por todo o lado), aguentou 71 minutos até tomar a decisão mais corajosa, e solitária: abandonar o jogo e o campo. Só assim os insultos racistas se tornaram notícia e não nos é permitido fechar os olhos. O futebol português não voltará a ser o mesmo. Parabéns, Marega, o mundo precisa de mais homens como tu!

3. O resto da equipa não podia abandonar o jogo. Ou o árbitro dava o jogo por terminado, ou saíam os restantes 21 jogadores. Sabemos como o sistema funciona e não se pode facilitar. Veja-se as reacções do presidente e do treinador do V. Guimarães. Até já vi e ouvi quem viesse insinuar que não existiram insultos e que se existiram a culpa era do temperamento do Marega. O mesmo que afirmou que na Selecção só há lugar para os “bacteriologicamente puros”. Mas não se considera racista porque viveu dois anos em Angola. Vejam lá ao que chegámos!

4. O presidente do Vitória de Guimarães não esteve à altura da grande instituição a que preside. Não percebeu a dimensão daquilo que aconteceu e não soube ou não quis defender e proteger o clube. Ambos vão pagar caro por isso. Como já referi, no racismo não há meios caminhos. Não há desculpas. Nem atenuantes.

5. Pelo meio disto tudo aconteceu um jogo de futebol. Um grande jogo, por sinal. O FC Porto venceu, com um golo decisivo de Marega e perante um enorme opositor, e em duas jornadas recupera seis pontos na classificação e cola-se ao primeiro lugar. Neste clube ninguém desiste e juntos somos muito mais fortes, como muito bem já tinha alertado o treinador Sérgio Conceição no fim da jornada anterior. Por isso, ninguém duvide de que vamos lutar até ao último minuto por este campeonato.